sexta-feira, dezembro 10


Black & White

sábado, novembro 13

You don't live here anymore

Talvez a principal diferença entre nós reside nas cidades que escolhemos amar. No nosso caso cidades rivais. Gostei de Lisboa desde o primeiro momento em que entrei nela. Quando a olhei do cimo do Castelo de São Jorge soube que Lisboa era a minha cidade, estendida sobre o meu silêncio, numa espécie de solicitude que nunca soube retribuir. Lisboa com os seus electricos, com os seus vendedores ambulantes, pedintes e desalojados, Lisboa tão cheia de contrastes e imperfeições é a cidade por onde caminho mesmo em sonhos.
Aceitou o meu coração partido e a minha alma faminta de ti, sem perguntas, sem hesitações. Ela vive em mim, independente de ti, das memórias que guardo do teu rosto moreno. A tua cidade cinzenta é só tua, estreita, secreta. Viana é o espaço que temos em comum e até mesmo esta cidade que nos abrigou se vai esquecendo de ti.
You don't live here anymore e escrevo o teu nome como se de um fantasma se tratasse. Desenho com ternura os contornos do teu nome e pergunto àquele lado de ti que sobrevive em mim há anos, se já me esqueceu. Pergunto insistentemente, sinuosamente ao lado mais obscuro do meu ser, porque é que te trago rente.

segunda-feira, novembro 1

Ela, tu e eu

«Ela é para mim aquela que está sempre à minha espera, sentada ou em pé com um livro nas mãos ou no colo, fazendo com que os minutos contem para alguma coisa. Encontro-a sempre assim, pensativa, olhando o horizonte. Chego então junto dela, apressado, como se tivesse desprendido um esforço sobrenatural para a alcançar a tempo de ela desistir e ir-se embora. Nunca o fez, nunca deixou de esperar. Pergunto-me se um dia ela não se irá cansar e não se irá embora cabisbaixa e triste porque eu cheguei tarde demais.»

Eu também sou esta 'ela' às vezes...

Felicidade

Já disse que não procuro a felicidade? Procuro sim momentos onde a infelicidade quotidiana fica suspensa, à espera, no vazio, adormecida, deixando um espaço em aberto para outras coisas poisarem. Sou triste por natureza, muitas vezes tenho o peso do mundo nos meus ombros, uma opressão que de todo não me parece normal. Parece-me inconcebível que os outros consigam viver, respirar sem as coisas que para mim são primordiais, as mesmas coisas que tantas e tantas vezes me oprimem e angustiam. Como é que conseguem viver sem olhar o céu e sentir um arrepio na espinha, sem escutar a voz do meu primo? Como conseguem viver sem a poesia que quero rente, sem a música do eugénio, sem o corpo de um texto?

Night fall all over

Sou marginal, vivo em retalhos, na margem, muitas e tantas vezes no limite da sanidade convencional.

Tenho uma imagem na minha memória: imagino a minha mão no rosto dele, os meus dedos testemunhando o reconhecimento da alma daquele rapaz, de quem há séculos eu não tenho noticias.

1 de Novembro

Olhei o espaço à minha volta e notei pequenas e grandes diferenças. Perguntei a mim mesma como podias tu descansar num lugar assim, tão branco, tão desprovido de vida, com tantos santos à tua volta. Pedi que me abençoasses, neste dia friorento e augustiante pedi que me abraçasses e confortasses por todos os anos da tua ausência. E avô, como seria a minha vida se tu tivesses nela, vigilante, amorosa? Como seria se tu não tivesses morrido à 18 anos, levando contigo a minha meninice?
O cemitério continua distante e frio, o catolicismo continua a inspirar-me temor e frustação.
Sei que vives para além das palavras ocas do padre...

Um hipotético Eu

Esta é uma resposta à clássica pergunta 'como és' do IRC


Bem, gosto das minhas mãos e dos meus olhos e em geral da minha personalidade problemática e delirante.
Não costumo roer as unhas, nem arrancar os cabelos qdo estou nervosa, mas sinto um frio no estômago nos momentos de maior ansiedade.
Gosto de conversar e discutir ideias em bares e cafés, imaginando que estou numa espécie de tertúlia.
Sou tendencialmente de esquerda e gostava de ser mais empenhada politicamente.
Sou preguiçosa e costumo sentir pena de mim própria nos momentos de maior fragilidade.
Tenho cabelos loiros que com o passar do tempo vão escurecendo.
Faço anos no dia 2 de Novembro.
Não sou uma grande e estonteante beleza, mas tb não sou excessivamente feia.
Sou por vezes neurótica.
Gosto de colocar desenhos e poemas nas paredes do meu quarto.
Gosto do Frank Sinatra.
Gosto de finais felizes e torço sempre para que a rapariga fique com o rapaz.
Não choro no cinema, nem me comovo com o pôr do Sol.
E o meu melhor amigo é gay.

terça-feira, outubro 26


Sleep

These are a few of my Favourite Things

Raindrops on roses and whiskers on kittens
Bright copper kettles and warm woolen mittens
Brown paper packages tied up with string
These are a few of my favourite things
Cream coloured ponies and crisp apple strudels
Doorbells and sleighbells and shnitzel with noodles
Wild geese that fly with the moon on their wings
These are a few of my favourite thingsWhen the bee stings
When the dog bites
When I'm feeling bad
I simply remember my favourite things
And then I don't feel so sad"

Friend

Sabes que nasci no dia dos mortos? No mês em que a tristeza tem uma espécie de essência redentora. O outono que novembro traz tem sobre mim um efeito apaziguador, terno. Nada te digo, porque quero o melhor para ti, mas sem a tua presença, sem a paz que a tua voz me dá, sinto-me perdida, vacilante. Tu eras, és o meu porto de abrigo. Como posso eu ser eu sem ti?

segunda-feira, outubro 25


Nice Shop

O que se aprende nas aulas de código!!!

Onde estás?

@@@@

«Estamos aqui para aprender a viver em sociedade ao volante»

Esta foi a melhor frase que até agora ouvi, no tédio que constitui as minhas aulas de código
A minha instrutora (será este o termo técnico para designar a pessoa que nos ensina a viver em sociedade ao volante?) tem mesmo um sentido de humor um tanto quanto mórbido.

Borboleta

Tu fazes parte de um mundo em que as perguntas não têm resposta, em que os complementos directos não existem, em que o verbo apenas existe na solicitude de um momento e o sujeito é um ser guiado apenas por uma acção. Desvendar o teu corpo implica trazer-te para o meu mundo, sabendo que tu nele não tens substância. Tu és esse ser que eu inventei e que alimento ao nível do meu imaginário.

quinta-feira, outubro 21


Suzanne Vega

Picasso

Chove lá fora...

Poucas coisas restam. Resta muito pouco. Sinto pouco interesse pela normalidade da vida. Só me restam os livros e os sonhos e o cinzento das pedras. Interessa-me o lirismo de algumas coisas, de algumas imagens repletas de vida ou de tristeza. A tristeza da fatalidade comove-me. Respiro, entro em mim e procuro qualquer coisa, o sono que perdi, a esperança que abandonei ou a teimosia que se foi. Restas-me tu, mas tu já não moras aqui e quando acordo já não te encontro ao meu lado. Conservo o teu cheiro, nada mais. Nada mais tenho, nada que queira ter, só um largo tempo à frente que não sei como ocupar. Estou sozinha, sou uma partícula de poeira, demasiado pequena para provocar tempestades. Não consigo dormir porque a chuva cai no telhado, produzindo o som de pequenos estrondos. Imagino um gato lá estendido, a morrer de frio. Percebo que sou eu que está a esmorecer lentamente. A terra absorve-me, dos meus braços começam a nascer ramos. Criei raízes na minha solidão. Estou só. E a chuva continua a cair lá fora.

Uma casa vazia de ti

Uma das primeiras coisas que noto é o vazio das paredes. Encontram-se despidas de memórias, de afectos. Movimento-me numa casa estranha, ouço ruídos que não conheço, que não identifico como parte do meu dia a dia. Depois vem o silêncio, da rua, das pessoas, das paredes. Um silêncio estranho, brusco. Medito, mas não encontro afectos. A minha casa é um corpo estranho e virgem.

Where are you, my friend?

O que fazer com o tempo que passa? O que fazer com o tempo que não passa? A intimidade que tenho com o D é quase impossível de transferir para outra pessoa. Posso medir o grau de intimidade a partir do conforto que existe entre nós. Já sabemos os nossos pequenos truques, não temos necessidade de agradar, ou fingir. Sabemos como cada um reage em determinadas situações.
Há uns tempos atrás enviou-me uma mensagem que ditava o seguinte: «Loira, um dos benefícios de me dar contigo é que, todos os dias, sou enriquecido com uma nova expressão de pasmo, admiração e até, por vezes, incredulidade.... Inatel, does it ring a bell???» Achei lindo. Fez-me sentir uma loira, estilo Bridget Jones, meio maluca. Sorrio, sinto-me leve, como se entre nós houvesse um entendimento meio completo que se expressa nestas coisas.
Ele é, de certa forma, o meu equilíbrio, a minha leveza feita de algodão branco e voluptuoso. É o outro lado do meu denso rosto. Hoje sinto, particularmente, falta da sua presença suave e humorada; sinto falta dos seus gracejos, da sua leveza, daquele ‘loira’ amigável, símbolo da nossa intimidade. Aposto que ainda dorme, um sono pesado, esquecido durante a noite para ser relembrado com os primeiros raios da manhã.