domingo, dezembro 12

O tédio

É impossível descrever o desconforto que me causa ver a densidade e a complexidade do ser humano reduzida a este vazio matemático. Esta formação catastrófica, estas jornadas de informação que me são impostas representam a antítese de toda a minha formação académica. Eu integro-me nas correntes humanísticas, nas correntes de pensamento antropológico que concebem o Homem como um ser delirante, imaginativo, manipulador de identidades pessoais e ultra pessoais. Concebo a antropologia como um projecto inacabado, sendo que a ideia de uma antropologia plural, estendida sobre o nosso pensamento quotidiano é em si mesmo um projecto no qual devemos investir.


O Tédio é um rosto multifacetado, cujos contornos não me são estranhos. Sinto-lhe o bafo quente e enrouquecido nestes dias de Inverno. Socorro-me de uma hipotese de sobrevivência sem saber de onde chegará.

Sem comentários: